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O "Fator Lulinha" e a reativação do Calcanhar de Aquiles Petista

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Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. — Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo

O cenário político em Brasília sofreu uma inflexão nesta quinta-feira (26). A decisão do ministro André Mendonça (STF), somada à turbulenta aprovação de quebras de sigilo na CPMI do INSS, retira Fábio Luís Lula da Silva da zona de penumbra e o coloca no centro gravitacional de uma investigação de alta voltagem. Mais do que um desdobramento policial, o caso representa a reativação de um trauma histórico para o PT: a investigação de familiares do presidente como via de desgaste do Executivo.

A tese da Polícia Federal, agora chancelada pela quebra de sigilos telemáticos e fiscais, não se baseia em uma atuação direta de Fábio Luís, mas em uma triangulação de influência. O foco clínico dos investigadores recai sobre a RL Consultoria, da empresária Roberta Luchsinger.

A análise técnica dos fluxos financeiros revela uma conexão que o Planalto terá dificuldade em ignorar:

  • Fluxo de Capital: R$ 1,5 milhão saíram das contas da Brasília Consultoria (de Antônio Camilo, o "Careca") para a empresa de Roberta.

  • A Interlocução Suspeita: Mensagens interceptadas sugerem que parte desses valores — especificamente parcelas de R$ 300 mil — teria como destinatário final o "filho do rapaz". No jargão da PF, o uso de codinomes em operações de lobby é um indicador clássico de tentativa de blindagem de agentes politicamente expostos.

Depoimento do Careca do INSS na CPI — Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo
O ponto mais sensível da investigação — e onde o crime de tráfico de influência ganha contornos mais nítidos — é a tentativa de inserção da World Cannabis no Ministério da Saúde. O fato de o "Careca" ter obtido agendas dentro da pasta entre o fim de 2024 e o início de 2025 confere verossimilhança ao depoimento da testemunha que aponta Lulinha como o facilitador desse acesso.

Embora nenhum contrato tenha sido assinado — argumento que a defesa utilizará para alegar "ausência de dano" —, o Direito Penal moderno foca na venda da fumaça (a comercialização do prestígio junto à administração pública).

A agressividade vista no plenário da CPMI, com agressões físicas entre parlamentares, é proporcional ao risco que o caso oferece. A estratégia do governo é clara:

  1. Judicialização: Contestar o método do "contraste visual" utilizado pelo senador Carlos Viana para anular a votação na CPMI.

  2. Vitimização: Argumentar que a decisão de André Mendonça é uma "pesca probatória" ideológica, aproveitando-se do histórico do ministro indicado por Jair Bolsonaro.

O que se vê não é apenas uma investigação sobre desvios no INSS. É o teste de estresse da relação entre o Supremo e o Executivo. Se as quebras de sigilo telemático (e-mails e mensagens) confirmarem que Fábio Luís operava como "sócio oculto", o governo Lula poderá enfrentar uma crise de legitimidade ética em um momento de fragilidade no Congresso.

A "caixa-preta" aberta por Dé Mototaxi em União dos Palmares e a devassa autorizada por Mendonça em Brasília são sintomas de um mesmo fenômeno: o aumento da pressão fiscalizatória sobre os núcleos de poder que cercam a presidência.

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de filho de Lula; sessão é marcada por confusão

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CPMI do INSS tem tumulto — Foto: Reprodução

A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS desta quinta-feira (26) foi marcada por cenas de violência e forte tensão política. O estopim do conflito foi a aprovação dos requerimentos de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho do presidente da República.

Imediatamente após o anúncio do resultado, o ambiente parlamentar deu lugar a um cenário de caos. Governistas avançaram em direção à mesa diretora em protesto, resultando em um empurra-empurra generalizado.

A confusão escalou para agressões físicas, envolvendo deputados como Rogério Correa (PT-MG), Evair de Melo (PP-ES), Luiz Lima (Novo-RJ) e o relator Alfredo Gaspar (União-AL). O deputado Luiz Lima relatou ter sido atingido por um soco; Rogério Correa admitiu o contato físico durante o tumulto e, posteriormente, pediu desculpas ao colega. A sessão precisou ser suspensa por alguns minutos até que os ânimos fossem contidos.

O cerne da disputa técnica reside na forma como a votação foi conduzida. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), utilizou o método de votação simbólica por contraste:

  • O método: Parlamentares favoráveis permanecem sentados, enquanto os contrários se levantam.

  • A contagem: Viana contabilizou sete votos contrários (desconsiderando suplentes) e declarou a pauta aprovada.

  • A contestação: O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) exigiu a anulação, alegando "erro crasso" na contagem. Segundo Pimenta, imagens da TV Senado sugerem um placar de 14 a 7 favorável ao governo, o que inverteria o resultado.

"O regimento é claro: o contraste se dá entre a maioria e a minoria dos presentes. Vamos buscar a anulação imediata por fraude no resultado", afirmou Pimenta.

Apesar das reclamações, o senador Carlos Viana manteve o resultado, sob o argumento de que a conferência foi realizada duas vezes.

Em resposta, o bloco governista levou o caso à Residência Oficial do Senado. O grupo busca junto ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, a anulação formal da votação. Além do erro na contagem, os parlamentares sustentam que não há justificativa jurídica para a quebra de sigilo, uma vez que Fábio Luís não figura como investigado oficial no escopo da comissão.

Colisão frontal entre carro e caminhão de leite deixa um morto na BR-104, em Branquinha

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Acidente na BR104, em Branquinha 
Um grave acidente envolvendo um veículo de passeio e um caminhão de carga interrompeu o fluxo na rodovia BR-104, no interior de Alagoas, na tarde desta quarta-feira (25). A colisão, ocorrida no quilômetro 47, no município de Branquinha, resultou na morte imediata de um empresário da região.

Segundo os levantamentos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente aconteceu quando um Toyota Corolla, que trafegava em alta velocidade, teria invadido a contramão e colidido frontalmente com um caminhão da empresa de laticínios Natville.

O caminhão atravessou na pista, bloqueando totalmente o tráfego nos dois sentidos. Enquanto o carro de passeio foi completamente destruído, parte da carga de leite e os destroços dos veículos se espalharam pelo asfalto.

O condutor do caminhão sofreu apenas ferimentos leves e recebeu atendimento. Infelizmente, o motorista do Corolla não teve a mesma sorte: com a força da batida, ele foi arremessado para fora do veículo e faleceu antes da chegada do socorro médico.

A vítima foi identificada preliminarmente como um empresário do ramo de som automotivo, residente no município vizinho de Murici.

Sob pressão do MP, atual gestão da Câmara de União revela segredos do biênio 2023-2024

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Dé Mototaxi e Nenzinha | Foto: Reprodução
A transparência administrativa da Câmara Municipal de União dos Palmares ganhou um novo capítulo nesta semana. O atual presidente da Casa, vereador Emanuel Gomes Balbino, encaminhou ao Ministério Público de Alagoas (MPAL) o acervo documental completo relativo ao biênio 2023-2024, período em que o Legislativo estava sob a responsabilidade do vereador Givanildo Gomes, o "Nenzinha".

A movimentação é um desdobramento direto da Notícia de Fato nº 01.2025.00005290-5, que tramita na 2ª Promotoria de Justiça da cidade.

O imbróglio jurídico teve início quando o cidadão Ray Vieira Ramalho Mendonça acionou os órgãos de controle após ter pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) ignorados pela gestão anterior. De acordo com o processo, a resistência no fornecimento de dados públicos foi acompanhada de um agravante: o denunciante alega ter sofrido intimidação por telefone por parte do ex-presidente da Casa.

Documentos atribuídos à gestão Nenzinha | Foto: Reprodução

Diante desse cenário, o MPAL desmembrou o caso em duas frentes de atuação:

  • Frente Administrativa: Monitora a publicidade dos atos oficiais (licitações, contratos e folhas de pagamento).

  • Frente Criminal: Investiga o possível crime de ameaça (Artigo 147 do Código Penal) no Juizado Especial Cível e Criminal.

A atual administração do Legislativo justificou que os documentos foram entregues apenas agora devido ao estado do arquivo herdado, que consistia em documentos físicos não digitalizados. Após um processo de organização interna, links com cópias de contratos e despesas de pessoal foram disponibilizados ao Ministério Público.

Em despacho publicado no dia 18 de fevereiro de 2026, a promotora Jheise de Fátima Lima da Gama validou o recebimento das informações.

Próximas Etapas

O denunciante foi formalmente notificado em 19 de fevereiro e possui um prazo de 15 dias úteis para analisar o conteúdo enviado.

  • Conformidade dos dados: Se o cidadão atestar que as informações estão completas, a Promotoria deve arquivar o procedimento administrativo.

  • Inconsistências: Caso falte algum documento na chamada "caixa-preta" da gestão Nenzinha, novas diligências serão ordenadas contra a Câmara.

Corte de verbas faz Brasil perder patente internacional da Polilaminina

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Corte de verbas faz Brasil perder patente internacional da Polilaminina
Décadas de dedicação científica e uma promessa de cura para lesões medulares esbarraram na falta de recursos públicos. A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou que o país perdeu os direitos internacionais sobre a polilaminina, uma inovação terapêutica desenvolvida a partir da placenta humana. O motivo? A asfixia financeira sofrida pela instituição entre 2015 e 2016.

A jornada da polilaminina começou oficialmente em 2007, quando o pedido de patente foi protocolado ainda na fase embrionária do projeto. No entanto, o reconhecimento oficial tardou a chegar:

  • Espera: Foram necessários 18 anos para que a patente fosse finalmente concedida, o que ocorreu apenas em 2025.

  • Prazo crítico: Como a validade desses registros é de apenas 20 anos, o Brasil agora detém um direito que expira em curtíssimo prazo.

Embora o grupo de pesquisa tenha cumprido todos os ritos legais — registrando a tecnologia primeiro no Brasil e depois no exterior —, a crise financeira da UFRJ interrompeu o processo. Segundo Tatiana, a universidade ficou sem verba para quitar as taxas de manutenção do registro internacional durante os anos de 2015 e 2016.

“A UFRJ teve um corte de recursos, em particular foram muitos cortados na época de 2015 e 2016, e aí não tinha dinheiro para pagar. Então parou de pagar as patentes internacionais”, desabafou a cientista.

A pesquisadora associou diretamente essa perda ao cenário político da época, citando os cortes realizados durante a gestão de Michel Temer. Para evitar que a patente nacional também fosse perdida, a própria Tatiana assumiu os custos: “Eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder”, relatou.

A polilaminina não é apenas uma proteína; é uma esperança real para pacientes com lesões na medula espinhal, condição que atualmente não possui tratamentos de reversão. A perda da proteção internacional significa que o Brasil abre mão de reconhecimento global e de retornos financeiros que poderiam ser reinvestidos na própria universidade.

Ao deixar de proteger uma tecnologia nascida em solo brasileiro, o país perde a chance de transformar o conhecimento acadêmico em um ativo econômico e social estratégico.

MPAL investiga supostos desvios no programa "Messias Solidário"

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Prefeitura de Messias
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) deu início a uma ofensiva para apurar possíveis irregularidades no programa de transferência de renda "Messias Solidário". Através da 2ª Promotoria de Justiça de Rio Largo, foi instaurado um Procedimento Preparatório de Inquérito Civil, conforme publicado no Diário Oficial do órgão nesta quinta-feira (19/02).

A apuração foca na conduta de Ana Paula Narciso, atual secretária municipal da Mulher e Direitos Humanos de Messias. No entanto, a investigação se estende também à empresa terceirizada que gerencia o sistema de cartões magnéticos e o banco de dados do programa social.

A investigação nasceu de uma denúncia protocolada na Ouvidoria do MPAL, que aponta falhas graves na execução financeira do projeto destinado a famílias em situação de vulnerabilidade. Os principais pontos sob suspeita são:

  • Retenção de valores: Verificação se o dinheiro destinado aos cartões chegou, de fato, às mãos dos beneficiários.

  • Beneficiários "fantasmas": Suspeita de nomes fictícios na lista de recebimento para desvio de verbas.

  • Gestão de dados: Análise da lisura no processamento das informações pela operadora do sistema.

O programa "Messias Solidário" é uma ferramenta de assistência social em Messias, e o inquérito busca garantir que os recursos públicos cumpram seu papel de mitigar a desigualdade, sem desvios para fins particulares ou administrativos indevidos.

Consórcio Presidido por Prefeito do MDB Beneficia Empresa Ligada a Servidor do Governo de Alagoas

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Neno Freitas e Paulo Dantas | Reprodução
Uma empresa que já havia sido contemplada com um contrato de alto valor junto ao Governo de Alagoas voltou a receber recursos públicos no estado. Desta vez, a contratação ocorreu por meio do Consórcio Intermunicipal da Zona da Mata Alagoana e Serviços Públicos (COZAM), atualmente presidido por Neno Freitas (MDB), que também exerce o cargo de prefeito de Branquinha. O contrato homologado pelo consórcio alcança o montante de R$ 26 milhões e tem como destinatária a empresa Hug Life Skill Education.

A Hug Life Skill Education, cuja filial instalada em Alagoas possui como sócio um servidor que integra a estrutura administrativa do governo comandado por Paulo Dantas, já havia firmado anteriormente um acordo milionário com o Executivo estadual. Agora, volta a ser beneficiada com verbas públicas, ampliando sua atuação no estado por meio de um consórcio formado por municípios da Zona da Mata alagoana.

O valor exato homologado pelo COZAM é de R$ 26.040.000,00. Segundo o ato administrativo, o recurso será destinado à implantação de uma metodologia de educação socioemocional direcionada a professores e estudantes das cidades que integram o consórcio. A proposta prevê a aplicação de conteúdos e práticas voltadas ao desenvolvimento de competências comportamentais e habilidades socioemocionais no ambiente escolar, abrangendo a rede municipal dos entes consorciados.

Apesar da expressividade financeira do contrato e de o consórcio ter concluído recentemente uma licitação de grande porte, a transparência institucional do COZAM é praticamente inexistente. No site oficial da entidade não há informações básicas sobre suas atividades, contratos firmados, composição administrativa, municípios participantes ou detalhamento da execução orçamentária. Também não são disponibilizados relatórios de gestão, balanços financeiros, resultados de programas ou qualquer tipo de prestação de contas acessível ao cidadão.

www.cozam.al.gov.br
A ausência de dados públicos dificulta o acompanhamento social e o controle externo sobre a aplicação dos recursos. Não há, por exemplo, um portal estruturado com informações claras sobre o orçamento anual, quadro técnico, atas de reuniões ou contratos celebrados. O consórcio mantém presença institucional quase nula na internet, o que reforça o cenário de opacidade.

Outro ponto que chama atenção é a inexistência de canais efetivos de comunicação. O único número de telefone divulgado oficialmente não atende às ligações, inviabilizando tentativas de contato para esclarecimentos por parte da imprensa ou da população. Assim, enquanto o montante de R$ 26.040.000,00 destinado à execução do projeto educacional ganha destaque pelo volume de recursos envolvidos, permanecem sem resposta questionamentos relacionados à governança, à fiscalização e à publicidade dos atos administrativos do consórcio.

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