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| Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. — Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo |
A tese da Polícia Federal, agora chancelada pela quebra de sigilos telemáticos e fiscais, não se baseia em uma atuação direta de Fábio Luís, mas em uma triangulação de influência. O foco clínico dos investigadores recai sobre a RL Consultoria, da empresária Roberta Luchsinger.
A análise técnica dos fluxos financeiros revela uma conexão que o Planalto terá dificuldade em ignorar:
Fluxo de Capital: R$ 1,5 milhão saíram das contas da Brasília Consultoria (de Antônio Camilo, o "Careca") para a empresa de Roberta.
A Interlocução Suspeita: Mensagens interceptadas sugerem que parte desses valores — especificamente parcelas de R$ 300 mil — teria como destinatário final o "filho do rapaz". No jargão da PF, o uso de codinomes em operações de lobby é um indicador clássico de tentativa de blindagem de agentes politicamente expostos.
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| Depoimento do Careca do INSS na CPI — Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo |
Embora nenhum contrato tenha sido assinado — argumento que a defesa utilizará para alegar "ausência de dano" —, o Direito Penal moderno foca na venda da fumaça (a comercialização do prestígio junto à administração pública).
A agressividade vista no plenário da CPMI, com agressões físicas entre parlamentares, é proporcional ao risco que o caso oferece. A estratégia do governo é clara:
Judicialização: Contestar o método do "contraste visual" utilizado pelo senador Carlos Viana para anular a votação na CPMI.
Vitimização: Argumentar que a decisão de André Mendonça é uma "pesca probatória" ideológica, aproveitando-se do histórico do ministro indicado por Jair Bolsonaro.
O que se vê não é apenas uma investigação sobre desvios no INSS. É o teste de estresse da relação entre o Supremo e o Executivo. Se as quebras de sigilo telemático (e-mails e mensagens) confirmarem que Fábio Luís operava como "sócio oculto", o governo Lula poderá enfrentar uma crise de legitimidade ética em um momento de fragilidade no Congresso.
A "caixa-preta" aberta por Dé Mototaxi em União dos Palmares e a devassa autorizada por Mendonça em Brasília são sintomas de um mesmo fenômeno: o aumento da pressão fiscalizatória sobre os núcleos de poder que cercam a presidência.

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